Estava lembrando hoje das peneiras que vi durante o Ensino Médio como Técnico em Edificações. Uma seqüência delas empilhada de forma que aquelas com furos mais grossos ficassem acima das mais finas; como num funil. Quando se coloca o material (areia, brita, pedra) em cima daquele monte de peneiras, elas vão separando o material conforme sua granulação. Os mais grossos ficam nas primeiras peneiras, os mais finos nas últimas. Engraçado como esta lembrança me veio à mente depois que li um trecho que Paulo escreveu aos Romanos:
"Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem vive de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz; a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à Lei de Deus, nem pode fazê-lo. Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus."(1)
Paulo apresenta um contraste entre duas mentalidades possíveis. Uma que se volta para Deus, para agradá-lo. Outra que se dirige à carne, para o oposto do desejo de Deus.
Fiquei algum tempo meditando nisto. Uma mentalidade pode ser entendida como a forma com que lido com o ambiente ao meu redor. É como uma visão de mundo, um filtro, uma peneira. Usamos a razão, a nossa mentalidade, para decidir o que devemos fazer e o que não devemos fazer. Nossa mentalidade justifica nossas escolhas baseando-se em critérios que, na verdade, são crenças nossas pessoais sobre o que é certo ou errado.
Foi neste momento que me lembrei das peneiras. Elas tinham critérios pré-definidos para deixarem uma pedra passar ou ficar. Construíamos uma simples escala de valores quando peneirávamos o material e ele era classificado. Se queríamos as pedras mais grossas, então aquelas que chegassem até o meio da seqüência de peneiras eram reprovadas. Não eram as peneiras que determinavam as pedras certas ou erradas, era o tipo de massa que seria feita com elas.
Algo assim acontece conosco quase todo o tempo. Peneiramos nossos comportamentos de conformidade com aquilo que estamos procurando e o classificamos em apropriado ou inapropriado. Por isto Paulo disse que uma mentalidade, um conjunto de peneiras, voltada para a carne não pode agradar a Deus. Sabe por quê? Nossa capacidade de discernir, peneirar, entre o certo e o errado não está corrompida. O que muitas vezes está estragado são os critérios que usamos para dizer que esta pedra serve ou não para agradar a Deus. Embora tenhamos a capacidade de separar o bom do ruim, de separar os grossos dos finos, nossos critérios de escolha acabam por valorizar mais o tipo errado de material.
Sei que soa meio complexo, mas é por aí. Todos sabemos o que devemos fazer. Sei em que peneira encontrar as pedras necessárias. Mas às vezes (no meu caso, muitas vezes) recusamos o padrão estabelecido e ficamos com o imprestável. Deus nos ajude!
Referência bibliográfica
1. Romanos 8.5-8 [NVI]
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