Existe um local distante e escondido onde 12 de junho é feriado. Chamam-na de Olegna Interior. Não me perguntem ao certo a localização deste povo. Já procurei diversas vezes no Google Earth, mas ele sempre me dá a mesma resposta: “location not found”. Eu mesmo jamais visitei ou vi fotos deste lugar, mas um amigo ouviu de um vizinho que ficou sabendo há muito tempo atrás. É uma daquelas histórias que se perdem com o tempo. O dia 12 de junho funciona da seguinte forma naquele local.
Logo pela manhã os homens preparam uma bela e, claro, leve refeição para suas amadas. Não precisa ser casado para isto. Mas os casais podem se dar ao luxo de levaram o desjejum na cama da sua musa. Neste dia, ninguém trabalha e nada funciona, nem mesmo hospitais. Se alguém ficar doente, eles dizem que o amor terá o encargo de curar o doente usando outra pessoa.
Os casais com filhos têm uma missão logo após o café da manhã. Eles devem contar suas histórias de amor para a próxima geração. Quando eles terminam suas odisséias, os homens e mulheres de quem seus amores já partiram tomam as crianças e passam o resto do dia a cuidar delas. Aqueles que não encontraram seus amores caminham pelo parque por entre as árvores flertando possíveis amores até que o sol se ponha.
Quando a primeira refeição do dia termina, homem e mulher começam um ritual de beleza. Cada um deles passou dias escolhendo a maneira como se apresentará àquela pessoa querida. Os homens fazem suas barbas, escolhem suas melhores roupas, engraxam seus sapatos e procuram posar de galã. As mulheres fazem a maquiagem que mais valoriza seus rostos e procuram roupas e sapatos que delineiam amor e sensualidade. É uma preparação estranha para nossos padrões. Homens e mulheres gastam pelo menos quatro horas arrumando-se para o segundo encontro do dia. Não sei detalhes dos procedimentos, mas depois destas longas horas, o poder de sedução e atração é tão grande que cada homem e mulher devem mostrar-se somente um para o outro até que a noite caia.
Depois destas longas horas, lá pelas três da tarde, os dois amantes se encontram para almoçar. Eu sei, me pareceu meio tarde, mas segundo meu amigo é assim que funciona. A comida? O homem deve trazer pão e vinho, a mulher trará mel e frutas. É algo simbólico. Parece meio machista, mas o homem traz o pão simbolizando sustento e vinho para lembrar a alegria. A mulher traz mel como símbolo da doçura e delicadeza das flores. As frutas são para tornar o cardápio mais saudável e mostram as diversas formas como as mulheres encantam aos homens. Nas refeições dos casais mais jovens o vinho é substituído por suco de uva. Acho que eles também têm um tipo de Estatuto da Criança e do Adolescente.
Enquanto se servem, cada um dos amantes declama pelo menos um poema. Meu amigo conseguia lembrar uma destas obras:
Ó Vênus vinda do mar!
Trazida pelos ventos à minha terra.
Dá que eu seja um teu Adônis
Ao qual os javalis jamais matarão.
Seja um eterno amor
Entre uma deusa e um humano,
O nosso existir sobre esta terra.
Quando os casais terminavam a refeição e as declamações, eles deveriam dançar juntos. Não importava a música, cada casal com seu gosto. Só há uma regra: eles devem dançar com os corpos bem próximos um do outro.
Aos solteiros... bem, a consciência de cada um determina o que fazem depois. Apesar disto, segundo a tradição dos mais velhos e sábios, os casais de solteiros que saem para brincar com as crianças e dar descanso aos viúvos e viúvas são mais felizes quando se casam.
Aos casados, um leito coberto de pétalas está pronto para uma noite de amor. Os gostos variam, mas geralmente óleos e músicas especiais fazem parte daquele momento.
No final do dia, quando a noite já é escura, as crianças voltam para suas casas. Os casais então sonham com seus amantes e fazem juras de amor eterno mesmo enquanto dormem.
Quando perguntei a meu amigo o que poderia explicar tal costume entre aquele povo, ele apresentou-me o cerne da questão. “Se todas as famílias vão bem, toda a sociedade vai bem. Para a família ir bem, é preciso que o casal esteja bem. Um casal só pode ficar bem se existir amizade, romantismo, cumplicidade, amor e sexualidade.”
Fiquei pensando naquilo e percebi que cada momento do dia vai de encontro com uma destas necessidades. Café da manhã - amizade, roupas e arrumação especial - romantismo, dança - cumplicidade, poemas – amor, leito com pétalas – sexualidade.
Naquela sociedade, segundo meu amigo, os problemas sociais são pouquíssimos e as pessoas vivem muito mais com muito mais qualidade. Lá, o dia 12 de junho não é chamado de Dia dos Namorados, mas sim Dia da Semente Amor.
Um comentário:
Q fantástica esta história!
No BR o dia dos namorados só é dia 12 pq dia 13 é dia do santo casamenteiro, já reparou?!
Eita...
bjo
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