quarta-feira, 29 de junho de 2005

O buraco na garrafa

O ser humano é como uma garrafa com um buraco no fundo. Todos já nascemos assim, não há para onde correr. Sabe aquela garrafa, na qual você coloca água e, depois de algum tempo, ela se foi pelo buraco? Pois assim somos nós, sempre procurando mais líquidos. Quando estamos vazios, procuramos as mais diversas maneiras para enchermos a garrafa que teima em esvaziar. Projetos que se tornam desafios vão nos enchendo à medida que nos envolvemos mais com eles. O problema é que o fluxo deixa de ocorrer no momento em que alcançamos o alvo ou desistimos dele. Relacionamentos. Investimos neles, mas em alguns momentos parece que o fluido vindo deles não consegue superar a quantidade que sai pelo buraco. Sexo. Para mim, o mais fluido dos fluidos. Dura um momento somente. Comida. Às vezes procuramos preencher o vazio da garrafa comendo. Eu mesmo já fiz isto! Mas depois, só sobram os quilos e o mal-estar. Bebidas e drogas. Funcionam como um anestésico. O problema é que o sofrimento evitado volta duas vezes mais rápido e profundo a cada uso. Esta lista é imensa. Poderia citar jogos, leitura, escrita e muitas outras coisas. Foi pensando nisto que fiquei me perguntando: o que seria tão infinito assim, a ponto de poder fluir para dentro da garrafa em quantidades constantes o suficiente para poder compensar, de forma perene, o buraco da garrafa? Não precisei ir muito longe. Só há um ser tão fluido e infinito assim: Deus. Meu problema é que, às vezes, não abro a tampa para o líquido entrar...

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