terça-feira, 7 de junho de 2005

Minha última chupeta

Correria. A vida nunca foi tão apressada. Quando crianças, parece que o tempo não tem tanto poder sobre nossas vidas. Lembro-me de que até entrar na escola, aos cinco anos, não sabia a ordem dos dias da semana, dos meses ou mesmo sabia olhar a hora. Minha mãe e eu fizemos um acordo: eu larguei a chupeta em troca de minha matrícula no pré-escolar. É possível ouvir Piaget dizendo que eu ainda não estava na idade de saber estas coisas de tempo, mais tarde... Hoje tenho uma segunda opinião. A partir do momento em que entramos na escola, a noção de tempo precisa ser aprendida, senão ficaremos loucos sem saber quando a aula vai terminar para chegarmos em casa e brincarmos, ou quando será sábado ou domingo para podermos acordar mais tarde. Fui crescendo e descobrindo, diante de cada nova linha necessária na agenda, que saber quando era sábado ou domingo não adiantava muito; afinal, são muitos os anos em que acordei sábado pela manhã para repor aulas perdidas por causa das greves e agora tenho aulas no sábado até a hora do almoço. Hoje eu não sei viver sem agenda, sem post it, sem cronogramas, planos de ensino, calendários, relógios, despertadores e estas outras estratégias cognitivo-comportamentais de controlar o "meu" tempo. Fico tentando gerenciá-lo para poder continuar me divertindo; às vezes, eu ganho, outras ele ganha e eu fico sem brinquedo. Como diria Freud, todos precisamos ser castrados de alguma maneira. E pensar que tudo isto começou quando troquei a minha querida chupeta...

"Por que outro motivo, enquanto sociedade, estamos tão obcecados com games shows, reality shows e pessoas se tornando milionários instantâneos? Não será por que percebemos estas pessoas como sendo verdadeiramente felizes agora que são livres financeiramente? E, de alguma forma, não sonhamos nossas próprias realidades nas histórias deles - imaginando como seria ser feliz como eles são?" John Fischer - Saddleback Church

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