terça-feira, 28 de junho de 2005

Molhos, saladas, massas e pessoas

Sentimentos. O ser humano é um turbilhão deles. Ficamos felizes, tristes, entusiasmados, temerosos, ansiosos, emburrados, orgulhosos, desconfiados, maravilhados, deprimidos, acabados, corajosos. A emoção faz parte de cada um de nós como um ingrediente que dá sabor à comida. Quando penso nas emoções, penso nos molhos que usamos para dar sabor às saladas e massas. É possível comê-las sem acrescentar nada, mas um molho pode fazer toda a diferença, seja para melhor ou pior. Pensando nisto, me recordo de um dia em que, por engano, coloquei molho de alho na minha salada na hora do almoço. Diga-se de passagem que não gosto de sentir o gosto de alho em nenhuma comida. Ali estavam os melhores ingredientes, frescos e na temperatura ambiente. Olhei para aquele prato, deixei a boca encher-se de água e levei o garfo à boca. Por pura educação, não fui cuspindo toda aquela comida. Encostei-a no canto e comi o que não estava contaminado. Como os molhos podem contaminar ou elevar um prato, assim são as emoções com as pessoas. Alguém poderá dizer: mas não podemos controlá-las! Nisto concordo, mas contraponho. Não se controla o vento, mas se pode precaver de seus efeitos. Não controlamos nossas emoções, mas podemos aprender a lidar melhor com elas . Em terapia comportamental temos uma técnica chamada treino de assertividade. Ela consiste em aprender a se posicionar de forma autêntica sem contudo contaminar o prato. Ainda não descobri muito bem como se faz isto... ainda me parece um pouco de falsidade, ou incongruência... mas começo a pensar que mesmo molhos fortes, como o de mostarda, podem ser suavizados quando misturados com aromas antagônicos, como no molho de mostarda com mel. Se eu conseguir levar esta idéia adiante, quem sabe poderei contaminar menos saladas e massas... ou melhor, pessoas e pessoas.

Para pensar...
"O poeta parte no eterno renovamento. Mas seu destino é fugir sempre ao homem que ele traz em si." (Vinícius de Moraes)

Um comentário:

Anônimo disse...

Ângelo, estou orgulhosa de você e de suas reflexões. Esta, em relação aos "Molhos, saladas, massas e pessoas" foi simplesmente ótima. Quantas vezes não gostamos do molho que colocamos em nossas saladas e muitas vezes não conseguimos colocar no cantinho da boca para que num momento de distração dos outros possamos jogar fora, cupsir?!? E quando não dá, o que nos resta é engolir... Querido, continue me fazendo pensar. Um enorme bjo da amiga, Ana Carol.

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