Final de ano é tempo de meditação. A gente costuma avaliar o ano que está para terminar e planejar aquilo que buscaremos no ano que vem. Nestes momentos, me recordo de um cliente meu que me ensinou uma grande lição numa das sessões psicoterápicas que tivemos (psicólogos também aprendem com clientes, viu?). Ele contava como, ano após ano, fazia planos para o período que ia iniciar. Ele achava engraçado como, após analisar seus sonhos, muitas vezes os planos eram os mesmos do ano passado. Um particularmente lhe chamava a atenção: ele queria conhecer o mar. Havia mais de dez anos que em todo dezembro ele falava para si mesmo: "este ano eu consigo juntar dinheiro e conhecer o mar." O ano ia passando e nada dele conseguir. Quando ele se deu alta, ainda não havia conseguido cumprir este desejo. Mas me recordo de que era dezembro, e quando lhe perguntei seus projetos para o próximo ano, a primeira coisa que ele falou foi sobre a vontade de conhecer o mar. Perguntei-lhe se ele não havia desistido do sonho, afinal, eram tantos anos. Como que se invertêssemos a cena terapêutica, ele olhou nos meus olhos e disse: "É preciso sonhar. Quem não sonha, já morreu."
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