quarta-feira, 31 de maio de 2006
O próximo ônibus
Edimílson é cortado da seleção. De início, nem entrevista ele tem condições de dar; depois, chora . Mineiro é convocado, não acredita ao receber a notícia . Quantas contradições somam-se às nossas vidas terrenas. Como um grande paradoxo, a alegria de um foi obtida pela existência da tristeza alheia. É óbvio que um não torcia para que a má sorte chegasse à tenda de outro, mas se deu desta forma. Às vezes acontece assim mesmo... nem sempre um ônibus pode levar todos os passageiros que estão na parada. O que resta àquele que ficou para trás com o olhar fixo na traseira do ônibus que se foi? Por certo que xingar o motorista, atirar pedras ao veículo ou amaldiçoar a Deus iriam aplacar alguns hormônios, mas não poderiam mudar a situação. Ruminar a raiva e todos os sentimentos de indignação e desprezo tampouco. Talvez, e somente talvez, se aquele passageiro deixar de fixar o ônibus que passou e tornar a olhar para o local de onde o próximo pode vir... quem sabe ele não tomará um daqueles ônibus, fruto de milagre, onde se pode sentar confortavelmente e sem apuros. Ademais, ainda que o próximo não venha vazio, nem seja fruto de um milagre, se aquele passageiro fixar seu olhar naquele que o deixou, como enxergará aquele que poderá vir?
Nenhum comentário:
Postar um comentário