terça-feira, 30 de maio de 2006

A Festa do Doce

Ainda éramos crianças. Quatro irmãos, uma prima e, às vezes, alguns colegas. Era uma época de nossa infância em que tínhamos uma renda mensal denominada mesada. Quando o dia dez se aproximava era um sinal de que aquele dinheiro, que nos fazia “ricos” por alguns dias, iria logo chegar. Não era muita coisa, alguns trocados, uma quantia que hoje seria equivalente a uns dois, três reais. Parece pouco, e realmente achávamos, mas nos fazia vibrar. O mais interessante era um costume que desenvolvemos até que a mesada foi extinta (não me lembro o porquê). Chamávamos de Festa do Doce. O pensamento básico, diga-se de passagem muito bem elaborado para crianças, era de que se pegássemos nossas moedas e fôssemos comprar, cada um em separado, o que desejávamos, não poderíamos comprar tudo. Então, alguém do grupo (novamente não me lembro quem) teve uma magnífica idéia. Se cada um de nós desse um pouco de sua mesada para um caixa comum, nós poderíamos comprar coisas variadas e dividi-las entre nós. Assim, quem não poderia comer chocolate, pipoca e pirulito ao mesmo tempo, iria poder comer de tudo isto um pouco e mais alguns outros itens adocicados. Era uma democracia.
Discutíamos o que deveria ser comprado, em quais quantidades e em qual lugar. Mais que um sistema democrático, era uma forma de comunidade.Esta memória me veio à mente ontem quando conversávamos sobre infância no trabalho. Ela me recorda da necessidade que temos uns dos outros, dos amigos, dos colegas. Já dizia um mentor meu: “você pode carregar um saco de cimento sozinho, mas ao dividir a carga com alguém, provavelmente estará evitando problemas na coluna no futuro”. Acho que é por aí. Não foi à toa que o Mestre inspirou Paulo a escrever a ordem de levarmos as cargas uns dos outros (Gálatas 6.2) . Penso que Ele tinha em mente o alívio que Simão de Cirene (Lucas 23.26) lhe proporcionou ao ajudá-lo a carregar sua cruz até o Calvário...

Curiosidade...
Fui procurar para ver se existia uma festa em algum lugar com este nome. Imagine? Encontrei uma no Islã, chamada de Seker Bayrami (Festa do Doce ou do Açúcar) equivalente ao Eid al Fitr (na Arábia). Na Turquia, as crianças recebem doces para se alegrarem pelo fim do Ramadam durante esta festa.

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