sexta-feira, 26 de outubro de 2007

História(s) de amor

"Senti sua ausência hoje, o dia inteiro, como uma espécie de presença." [i]

São poucas as histórias de amor na Mitologia que têm um final feliz. Encontrei uma interessante hoje. Conta-se que existia um homem chamado Pigmalião, um escultor muito talentoso. Ele achava que as mulheres tinham muitos defeitos e então resolveu ficar solteiro. Acontece que com seu talento, ele fez uma estátua de forma feminina tão perfeita que mulher alguma chegava aos seus pés. Pigmalião acabou por ficar apaixonado pela estátua. Sua paixão era tamanha, que ele começou a tratá-la como a uma esposa. Presentes, carícias, roupas...


Certo dia, durante uma festividade religiosa, ele achegou-se ao altar e fez a seguinte oração: “Ó vós, deuses onipotentes, dai-me por esposa...” não ousou dizer “minha donzela de marfim”, mas em vez disso pediu “alguém que seja como minha virgem de marfim. Conta-se que Vênus ouviu sua prece. Quando Pigmalião chegou em casa e, como de costume, deu um beijo nos lábios de sua estátua, sentiu-os quentes e percebendo o milagre ocorrido, agradeceu a Vênus.
[ii]

Eu sinceramente acho que Pigmalião não se apaixonou antes por outra mulher por que não se permitiu. O restante da história nos mostra que ele e sua esposa Galatéia tiveram um filho (Pafos) [iii]. Se Vênus realmente transformou a estátua numa mulher, com certeza ela tinha defeitos, afinal, as pessoas não são perfeitas. Pigmalião teve ter aprendido a admirá-la, a desejá-la perto, a querer desfrutar de seus carinhos e de sua companhia; tudo isto apesar dos defeitos que sua musa tinha e que eram, provavelmente, os mesmos que ele repudiava nas outras mulheres.

Pigmalião amava Galatéia, agora mulher imperfeita. Afinal “amar não é ter que ter sempre certeza. É aceitar que ninguém é perfeito prá ninguém.”
[iv] Não é a ausência de defeitos que nos faz amar outra pessoa; é a existência de algo especial e inexplicável que nos atrai e que completa nossa felicidade.

“Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol.”
[v] A bíblia nos ensina que estar junto com alguém tem um propósito: cumplicidade no desfrute da vida. Entenda vida como algo particular (seus sonhos, seus desejos) e partilhado (sonhos do outro, desejos do outro) ao mesmo tempo.

Um homem e uma mulher juntos devem partilhar sonhos, desejos, momentos. O prazer gerado por este partilhar é a essência da felicidade de um casal. Alguém pode dizer: mas todos temos problemas... Sim, mas quando se partilha a vivência deste momento difícil, divide-se a felicidade pela solução com risos e festas ou a tristeza pela derrota com choro e colo. Não importa. Estar junto é partilhar a vida e é exatamente este partilhar que faz com que a outra pessoa se torne tão essencial.

Meu pastor Salvino (já com o Senhor) sempre dizia que o amor romântico não resiste ao tempo; ele é fogo que logo se esvai. É quando se compartilha a vida que se descobre o que realmente é amar alguém, pois só se pode amar alguém quando se conhece os seus defeitos e, ainda assim, firma-se o compromisso de aceitar-se e ficar junto.

Sei que o texto está meio confuso. São idéias lançadas para o alto na tentativa de organizar algo que não entendo completamente. Na verdade, acho que ninguém entende mesmo. Está aí a graça do amor. São as coisas que não entendemos que mais nos fascinam. É o mistério contido no desconhecido que nos atrai em busca da descoberta de seus segredos.

Ontem à noite, fixei os olhos em minha esposa e tive a impressão de que estava me “apaixonando” novamente. Isto depois de 11 anos juntos. Soa piegas? Foi o primeiro pensamento que passou pela minha mente. Soa estranho? Para mim também. Mas acho que funciona assim mesmo.

“Seja bendita a tua fonte! Alegre-se com a esposa da sua juventude. Gazela amorosa, corça graciosa; que os seios de sua esposa sempre o fartem de prazer, e sempre o embriaguem os carinhos dela.”
[vi]


Referências bibliográficas

[i] Philip Yancey. Deus (In)Visível (pg. 105). São Paulo: Editora Vida, 2001.
[ii] Thomas Bulfinch. O Livro de Ouro da Mitologia: histórias de deuses e heróis. São Paulo: Martin Claret, 2006.
[iii] Galatea (mythology). Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Galatea_%28mythology%29. Acesso em 26/out/2007.
[iv] Jota Quest. Álbum MTV ao vivo, 2003. Trecho da música: O que eu também não entendo.
[v] Eclesiastes 9.8 [Almeida Revista Atualizada].
[vi] Provérbio 5.18-19 [NVI].

Um comentário:

Unknown disse...

DEPOIS DE TANTAS PALAVRAS BONITAS EU SÓ POSSO DIZER , O QUANTO EU TE AMO, NÃO SOU PERFEITA (E NÃO SE ILUDA NUNCA SEREI),MAIS COM TUDO GOSTARIA DE LEMBRÁ-LO ,QUE VC É MINHA EXCESSÃO A REGRA,QUE SOU MUITO FELIZ POR ,TÊ-LO AO MEU LADO, UM COMPANHEIRO, AMIGO, ESPOSO , AJUDADOR, AMANTE(E QUE AMANTE),ABRIGO,UM EXCELENTE PAI E OUTRAS INUMERAS QUALIDADES QUE NÃO DÃO PRA ESCREVER......
VC É DEMAIS
EU TE TUDO
BEIJOS......
CRISTINA

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