segunda-feira, 9 de outubro de 2006

O Lixeiro

Sábado vi uma peça com intitulada "O Lixeiro". Os personagens carregavam consigo sacos de lixo que variavam de tamanho e peso. Para onde eles iam, o saco era colocado nas costas. Aquilo angustiava pois, por mais que fosse fedido e pesado, nenhum dos personagens queria se desfazer dos sacos, pois ali estavam coisas que deveriam ficar ocultas das outras pessoas.
Há alguns dias atrás refleti sobre a questão: será que as pessoas me aceitariam se me conhecessem ao fundo, com todos os meus defeitos e erros? Se pudessem ler meus pensamentos, desde os mais nobres até os mais lastimáveis, dos mais puros aos mais imundos, será que poderiam me suportar e me aceitar por um só dia?
"Não mexa no meu lixo, ele é só meu!", gritou um dos personagens. Acho que minha angústia me levaria a um grito destes se alguém pudesse ter acesso a todo meu lixo. Entretanto, há uma pessoa que tem acesso completo a este lixo. E mais: antes de mim, esta pessoa já sabe o lixo que vai ser produzido.
O Lixeiro sabe, antes de mim, quando um pensamento imundo irá passar por minha mente. Ele sabe quem sou, o que penso, o que sinto, o que anseio. Tanto as partes boas como as ruins, e que procuro esconder sempre, estão diante de seus olhos como um filme que se passa na tela de um cinema (Salmo 139.4).
O que mais me intriga, porém, é que, nem por isto, ele me rejeita. Sei que o título usado pode escandalizar alguns, mas é pertinente. Jesus é o lixeiro, eu sou o lixo. Ele tomou meu lixo na cruz (Isaías 53.4,5), para que eu pudesse ter uma vida diferente, uma vida de verdade (João 10.10).
Sinceramente, eu não sei se suportaria conhecer todos os pensamentos de uma pessoa e, ainda assim, continuar a amá-la da mesma forma. Como todo ser humano, eu oculto, de forma consciente e inconsciente, determinadas partes de minha personalidade e opiniões para ser aceito por outras pessoas, que por suas vezes, fazem a mesma coisa. Com Deus eu não posso fazer isto; é impossível.
Ao procurar encobrir, mascarar minhas imperfeições, corro o risco de apontar meu dedo humano e criado na cara do Criador, pois "se afirmarmos que não pecamos, chamamos Deus de mentiroso" (I João 1.10). Diante da impossibilidade de ocultar todo o lixo que existe dentro de mim, tenho somente uma alternativa, confessar a sua existência para que o Lixeiro possa tirá-lo de mim (I João 1.9).
O que eu queria mesmo, era não produzir mais lixo... Obrigado, Lixeiro, por que apesar de não ser capaz de fazê-lo agora, este dia irá chegar em breve (I Coríntios 15.51-56).

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