terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Regras e queimaduras

Véspera de Natal é sempre um momento de correria. Alguns correm para os salões de beleza, outros para as compras de última hora. Mas, como de costume, eu estava correndo na cozinha. Tudo para terminar, no prazo, a parte da minha família na ceia de Natal: o pernil.

Dependendo do tamanho, uma peça de pernil leva mais de quatro horas no forno para ficar pronto. Assim, enquanto me preocupava com o preparo dele, também comecei a fazer o almoço do dia, afinal, ninguém ia ficar sem comer até o momento da ceia.

Decidi que faria um combinado de frango com arroz e açafrão. Escaldei e temperei o frango. Coloquei o óleo para aquecer na panela. Aqui as coisas começaram a desandar.

Com o óleo quente, coloquei um pedaço do frango no óleo. Mas como estava com muita pressa, decidi que colocaria todos os pedaços de uma só vez na panela. E assim o fiz. Para quem não sabe, existe uma regra básica na cozinha: “quando o óleo está muito quente e você quiser colocar alguma coisa nele, deve ir aos poucos, pedaço por pedaço, senão ele irá 'explodir' para fora da panela”.

Como está previsto na regra, no momento em que coloquei, de uma só vez, todo o frango na panela, um punhado de óleo quente veio na direção do meu rosto. Você pode imaginar o que aconteceu. Fiquei com os lábios, a testa e um dos olhos queimados. Foram quase dois dias sem enxergar direito por conta da queimadura. Meu trabalho agora tem sido usar filtro solar fator 50 nas áreas que estão sarando para que não restem cicatrizes. Tudo isso poderia ter sido evitado, se eu não tivesse ignorado uma das regras básica da cozinha.

O rosto queimado me lembra que na vida espiritual também existem regras a serem seguidas. Deus criou todas as coisas [Colossenses 1.16] e, para que tudo funcione corretamente, ele ditou uma série de regras. A princípio, parece que o objetivo delas é tornar o mundo um lugar chato. Mas, na verdade, elas nos trazem segurança, pois nos remetem ao modo original e correto das coisas funcionarem na terra. Quando ignoro uma dessas regras de Deus, estou me arriscando a sofrer as consequências dos meus atos.

João nos ensina que o pecado é “uma quebra da regra de Deus” [I João 3.4]. Assim, todas as vezes que desobedeço às regras colocadas por Deus, cometo um pecado. E, embora Deus nos perdoe os pecados [I João 1.9], ainda restam as consequências dele.

O fato de eu ter reconhecido que quebrei uma das regras da cozinha não me isentou de ficar dois dias sem enxergar direito. O perdão de Deus não me isenta de todas as consequências do meu erro.

Eu poderia dizer que isso não é justo, que eu estava com pressa, que havia o pernil e também o almoço. Mas nada me isenta de minha culpa. Quando decido quebrar uma regra, assumo o risco por minha decisão e suas respectivas consequências. Muitas vezes queremos justificar nossos pecados usando a pressão dos colegas ou do ambiente como desculpas para eles. Temos a tendência de colocar a culpa por nossas falhas nos outros para aliviarmos nosso próprio sentimento de fracasso. No fundo, porém, sabemos que decisão final sempre esteve em nossas mãos. Sabemos que se alguma coisa deu errado, é por que nós tomamos a decisão errada.

Por isso é importante buscarmos um estilo de vida que agrade a Deus, um modo de viver que seja conforme aquele que ele estabeleceu: uma vida de santidade, na qual procuramos nos livrar de tudo o que possa ficar entre nós e Deus, sejam pecados, sejam pessoas [Hebreus 12.1,2 e 14]. Isso não somente nos aproximará mais dele, como também nos levará a uma vida de menos queimaduras e mais prazeres [Salmo 16.11].

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