Mudanças. Talvez seja uma característica minha de relutar diante delas. Há pessoas que adoram sair da rotina, tipo propaganda "disque 23"... Eu, ao contrário, devo me esforçar diariamente para quebrá-la. Não por que eu vá morrer de tédio, mas pessoas queridas ao meu redor vão terminar me convencendo, pelos seus olhares e tom de voz, que está na hora de fazer algo diferente. Claro que há exceções, minhas atividades na cozinha, por exemplo. Mudanças me são angustiantes por que, geralmente, colocam uma distância entre pessoas com as quais me apeguei. E uma vez que me apego... Eu amo aventuras, mas elas só me são prazerosas quando estou próximo de pessoas queridas. A dificuldade é que leva tempo para que as pessoas se tornem queridas para mim... Penso que todos, de alguma maneira, somos assim: sofremos diante das mudanças na proporção em que nos apegamos às pessoas e coisas que estão envolvidas naquilo que será mudado. Acredito também que quanto mais facilmente me apego às pessoas e coisas, menos dolorosa será a mudança; por outro lado, quanto mais dificuldades tenho para criar apego, mais doloroso este processo será. Alguns podem argumentar que mudança não implica, necessariamente, distância e desapego. Concordo em parte. Mudanças sempre envolvem algum tipo de perda, de distanciamento, de quebra; talvez não seja algo tão profundo ou dolorido, mas para mim, que me apego com dificuldades, mudanças sempre são seguidas de uma mescla de sofrimento e crescimento. Sim, crescimento. Todo sofrimento é uma chance de crescimento. Então o que fazer? Nada e tudo. Por que do aparente paradoxo? Por que devemos seguir em frente; isto é tudo o que podemos fazer. Por que ao seguirmos, os afetos serão mudados (nem sempre para pior, simplesmente mudados) e aí não há nada que fazer, eles nunca mais serão os mesmos...
Para pensar...
"Paradoxo do controle: O homem nunca pode estar livre de controle já que ser livre de controle é ser controlado por si mesmo." Extraído da Wikepedia.
Um comentário:
esse foi mais complexo...
gostei dessa parte: "sofremos diante das mudanças na proporção em que nos apegamos às pessoas e coisas que estão envolvidas naquilo que será mudado"...
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